Interlagos, santuário do automobilismo!



Houve um tempo em que a monotonia e a falta de “divertimento” na F-1 se tornou uma grande preocupação. Teóricos do esporte alertavam para a construção de novos circuitos sobre a responsabilidade do arquiteto Hermann Tilke, amigo de Bernie Ecclestone, que privilegiava grandes áreas de escape, poucas curvas de alta velocidade e retas antecedidas por curvas muito fechadas.

Isso aconteceu, mais precisamente, após as mortes de Senna e Ratzenberger no GP de Ímola em 1994. A partir daquele fatídico dia, a segurança dos pilotos passou a ser tratada como prioridade pela categoria.  E até mesmo pistas tradicionais tiveram que ser reformuladas. Consequência final foi que carros aerodinamicamente bem desenhados passaram a ter maior destaque e os pontos de ultrapassagem foram diminuindo.

Apesar dessa tendência, o autódromo José Carlos Pace em Interlagos, com pouco mais de 4 km de extensão, preservou o seu traçado tradicional com curvas velozes e com boas retas, seguidas de bons pontos de ultrapassagem. Nele, os carros mais velozes, com bons motores, costumam ter vantagem. Não à toa, é sempre citada como pista favorita por vários pilotos. Aliado a isso, quase sempre a possibilidade de chuva traz um ingrediente a mais de apreensão aos espectadores e a todos os profissionais envolvidos no evento.



Para os amantes da velocidade, a pista de São Paulo acabou se tornando uma das poucas no continente que recebem uma corrida de F-1, um terreno sagrado e tradicional em que os maiores pilotos do mundo duelam por espaço e dividem curvas como nenhuma outra categoria. Não é raro você encontrar espectadores assíduos que completaram 3 décadas de GP Brasil e que já planejavam a volta.

Além de ser um desfile do que há de mais avançado em carros de corrida, para esse colunista, a grande surpresa foi constatar que a grandeza do esporte não está no dinheiro e na riqueza que ele ostenta, mas na paixão de seus fãs. Todos os setores do estádio estavam lotados no dia da corrida. Pessoas de todo mundo compareceram ao evento que não contou com nenhum piloto brasileiro, mas pôde contar com o anúncio de Pietro Fittipaldi e Sérgio Sette Câmara como pilotos de testes, respectivamente, de Haas e Mclaren para a próxima temporada.

Sobre a corrida, pudemos observar uma atuação abaixo da expectativa da Ferrari, equipe que mais arrasta fãs no circuito. Uma performance abaixo da crítica de Vettel, que tem entregado muito pouco perto de Kimi Raikkonen.  Ao final da temporada, a Ferrari parece não manter uma performance constante nas corridas, o que custou o campeonato de construtores. Lewis Hamilton ratificou o seu status de grande estrela do esporte e venceu a corrida e garantiu o título para a equipe Mercedes.

Com atuações destacadíssimas, Charles Le Clerc  e Max Verstappen parecem se consolidar como as grandes apostas de campeões para o futuro. O piloto holandês ganhou o carinho e apoio do torcedor brasileiro nas arquibancadas, mostrando ser um piloto além de muito veloz, muito arrojado e competitivo. Para muitos lembra Ayrton Senna em início de carreira, inclusive no ímpeto e nos inevitáveis acidentes que isso acaba provocando.    

Para o ano de 2019, algumas previsões já podem ser feitas. Apesar das mudanças no regulamento, o protagonismo de Red Bull, Ferrari e Mercedes deve ser mantido. Resta saber a ordem, lembrando que a primeira passará a correr com motores Honda, o que deve causar algum problema. O grande projetista da equipe austríaca inclusive já disse que qualquer perda com relação aos motores deve ser compensada com o bom desenho aerodinâmico do carro. 

Caros amigos, façam as suas apostas !

Por Vinícius Campos Freitas

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